Haibane Renmei: Une ille qui a des ailes grises.



Hora de falar sobre um anime, e são desmerecidamente raros neste blog, o que é injustificável até para mim, somente duas séries de OVAs e um filme representam a animação até a presente data, então é meu dever tentar reverter este estado, e pensando comigo um bom anime para falar sobre, me ocorreu um em especial no qual nutro bons sentimentos sobre, qual seja, Haibane Renmei.


Haibane Renmei é um anime de 13 episódios produzido pelo falecido estúdio Radix, indo ao ar entre 10 de outubro de 2002 e 19 de dezembro do mesmo ano, com o inconfundível traço de Yoshitoshi Abe, que também foi o criador original do roteiro, bem, o time responsável por dar vida a este anime foi de muita qualidade, sendo dirigido por Tomokazu Tokoro, que também dirigiu o aclamado Hellsing Ultimate, além do icônico Serial Experiments Lain, inclusive com o character design do citado Yoshitoshi Abe, tanto é que vendo Haibane Renmei é impossível não lembrar de Serial Experiments Lain e Texhnolyze que também foi desenhado por ele, outro destaque também é a trilha sonora composta por Kow Otani, o qual também foi responsável pela trilha sonora de Eyeshield 21, Gunslinger Girl: Il Teatrino, Another, Shakugan no Shana entre diversos outros, além de filme e videogames, em destaque Shadow of Colossus.





Haibane Renmei, traduzido como Federação das Penas de carvão, ou ainda Une fille qui a des ailes grises, que é o francês de uma garota de asas cinzas, é originário de uma série de doushinjis desenhados por Yoshitoshi Abe a partir de 1.998 e abandonados por decorrência da série animada, bem, nestes doushinjis o character design mudou bastante até chegar no qual é usado no anime e também não possuem uma estória fixa, Yoshitoshi Abe, segundo ele mesmo, criou as personagens antes de qualquer pensamennto de um possível enredo, por pura liberdade artística em querer retratar personagens com pequenas asas de anjos e auréolas, e também não foi o objetivo especificamente tratar sobre temas religiosos, foi uma escolha puramente estética.





Este é um daqueles animes um tanto peculiares de se falar sobre, uma vez que é inteiramente (quase) interpretativo, deixando ao leitor a tarefa de armar seus próprios raciocínios acerca da obra, você começa a assistir e fica cheio de dúvidas e quando acaba de assistir os 13 episódios, fica com muito mais, forçando a reflexão, uma vez que seu desfecho não dá todas as respostas dos inúmeros mistérios que compõe a obra, apenas a resolução das personagens principais. Haibane Renmei semelhante a um filme que falei sobre, Angel's Egg, só que Haibanne Renmei consegue ser mais "digerível" por ao menos seguir um roteiro identificável, o que não existe em Angel's Egg, mas possuem em semelhança um emaranhado de simbologias e metáforas, nas quais algumas até mesmo são bem semelhantes em significado, pelo menos segundo minha interpretação, mas cada um é livre para tecer suas próprias conclusões. Um efeito semelhante também é obtido em Serial Experiments Lain, que é outro anime repletos de filosofias e subtextos, onde é possível gastar bastante tempo teorizando. Este tipo de anime gera impressões controversas, seguramente não é para todos, mais um da série "ame ou odeie".

Bem, no que tange a estória, Haibanne Renmei em seu prólogo mostra uma menina caindo, como se estivesse em um sonho (e estava), de uma altura bem grande, literalmente atravessando os céus, como quando alguém pula de para-quedas, em determinado momento um corvo tenta impedir sua queda, o que é impossível, então a garota, resignada, continua a despencar. Esta menina era uma Haibane, ou asa cinzenta. Já em outro cenário vemos um outro grupo de haibanes observando um casulo, e depois de muito esforço de dentro dele sai a garota que estava caindo no sonho, depois ela devidamente posta em uma cama e quando acorda recebe as informação acerca de sua condição, não lembra de seu passado e nem como foi parar ai, se morreu, ou se é um sonho, ninguém sabe, nem mesmo as outras haibanes conhecem seus próprios passados.





A garota é nomeada como Rakka, que significa cair, já que todas as haibanes são nomeadas de acordo com o sonho que têm antes de sair do casulo, por exemplo, do grupo principal de haibanas existe a Reki que significa pedras pequenas, Hikari que significa Luz, Nemu que significa dormir e assim por diante. Logo de cara Rakka passa por uma difícil provação, o nascimento de suas asas, bem as asas das haibanes não possuem utilidade prática, apenas servem como meio de comunicação e uma espécie de "medidor", mas disto posso falar mais tarde. Ocorre que o nascimento das asas é um momento crítico, elas literalmente "explodem" de dentro do corpo, rompendo a pele e causando uma grande dor. Rekki que age como uma irmã mais velha de todas, cuida o tempo todo de Rakka, até o completo nascimento de suas asas e seu restabelecimento, logo após é trazida uma auréola para lhe colocar na cabeça, auréola esta que sai de dentro de uma forma, no entanto, inicialmente as auréolas não ficam estabilizada snas cabeças das haibanes e por isso até obterem praticam utilizam um suporte, Rakka é notadamente motivo de comentários por seu cabelo ser atraído pela auréola como se fosse tratar de eletricidade estática.





Neste contexto Rakka passa a adaptar-se ao modo de vida das haibanes, descobrindo como é a vida na escola abandonada em que vivem juntamente com diversos haibanes crianças, neste caso meninos e meninas, criando laços com as outras haibanes no núcleo principal e conhecendo a cidade em que vivem e suas estranhas leis e habitantes curiosos. Ocorre que na cidade de Glie, que é onde se passa a estória, há uma muralha que circunda toda a cidade e há uma única passagem que é fechada para todos os habitantes comuns e haibanes e nenhuma haibanne, em hipótese alguma pode tocar na muralha, e com o decurso dos episódios é mostrado o restante de leis e restrições nas quais as haibannes estão obrigadas a obedecerem, coisas bem triviais, como a obrigatoriedade de usar sempre roupas usadas, ou serem proibidas de usar dinheiro, possuindo um sistema monetário peculiar, bem como há uma seita ou espécie de religião que comanda e determina a vida na cidade de Glie e as próprias haibanes, os Togas.

Desta forma Haibanne Renmei e praticamente dividido em duas partes, metade aproximadamente se destina à Rakka e sua adaptação no mundo das haibannes, bem como a apresentação do núcleo central das personagens e os aspectos da cidade e dos costumes, bem como sempre ha insinuações de mistérios e coisas não bem resolvidas, inclusive nessa primeira etapa do anime o ritmo é lento, o que gerou crítica de espectadores mais afobados, no entanto vejo isso como injustificável, não sempre um ritmo lento de desenvolvimento da narrativa é ruim, o que contraria o senso comum, mas no caso em tela isto se fez necessário e foi a melhor escolha possível ao meu ver.






Na primeira metade do anime, focada no reconhecimento do ambiente e interação sadia entra as personagens, como eu já havia dito possui desenvolvimento calmo e sereno, é essa primeira parte é pautada pela serenidade e morosidade típicas do campo, repletas de paisagens idílicas propiciadas pela arte de Yoshitoshi Abe, o qual foi feliz em criar essa "aura" campesina para o anime, com uma simpática vila que lembra aquelas pequenas cidades medievais europeias, as quais parecem perdidas no tempo, com belas praças, casas de pedra, a muralha que circunda tudo, também é notável a presença de elementos arquitetônicos curiosos como aqueles cataventos para obtenção de energia eólica, que são muito simpáticos pelo estado de conservação, a ferrugem dá um toque especial, bem, a maioria das construções são mal conservadas, mas isto se torna bastante atraente quando unida com uma paisagem do interior que parece perdida no tempo.


Na outra parte do anime, este toma uma postura mais obscura, os conflitos surgem, Rakka e as outras haibanes, em especial Reki, são postas em xeque, antigas memórias do passado voltam à tona e trazem consigo desespero e emoções variadas, momentos de angústia furiosa contrastados com momentos de profunda depressão e abismos psicológicos, o cenário muda ligeiramente, lugares afastados tomam a cena, o inverno chega, tornando a paisagem branca, tirando um pouco aquela atmosfera bucólica da cidade Glie.





A primeira parte do anime, aproximadamente até o quinto episódio mantém uma similaridade, mantendo um desenvolvimento parecido, sempre sob o ponto de vista de Rakka, uma parte dos episódios é sempre dedicada a vida no casarão abandonada em que as haibanes vivem (a outros haibanes, inclusive homens morando em outro lugar da cidade, uma fábrica abandonada) e a outra em uma exploração pela cidade, notadamente aprendendo regras e costumes, bem como procurando um emprego, já que as haibanes têm que trabalhar para viver, sendo assim, surge um pretexto de Rakka visitar o trabalho de cada haibanne, para ver se gosta da espécie de serviço, no entanto isto é uma bela artimanha para apresentar ao espectador todas as personagens do núcleo central, não deixando no fim das contas elas mal desenvolvidas, bem como para favorecer Rakka a estreitar laços com todas, e nota-se que cada uma possui uma personalidade bem distinta, o que serve para tornar a experiência de assistir este anime mais agradável.

As personagens são cativantes, impossível não simpatizar ao menos um pouco com cada uma. Rakka é a protagonista, habitante inexperiente, sua curiosidade acerca do novo mundo que vive só é superada pela necessidade de entender a si mesma e ao seu passado. Reki, haibane experiente, possui um passado sombrio e uma natureza conturbada, aparentemente se mostra muito dedicada e calma, sempre despreocupadamente fumando seu cigarro, ela se mantém como "mãe" das demais, mantém um relacionamento bem próximo com Rakka, entre o amor e o ódio, a interação entre ambas culmina em um dos pontos centrais da obra. Nemu, a haibane mais experiente de todas, amiga de longa data de Reki, seu nome significa dormir, então ela vive cochilando, é calma e serena, as vezes meio dispersa, mas é um companheira leal, trabalha na biblioteca da cidade. Kuu, a mais nova em idade física das haibanes, alegre e jovial, talvez seja a que possua a alma mais em paz de todas as haibanes, desenvolve uma amiza especial com Rakka. Hikari, trabalha na padaria, sempre disposta a ajudar os outros, mesmo sendo um tanto atrapalhada e por fim, Kana, a "tomboy" do grupo, se veste como um menino chinês, a que presenta mais energia e disposição, adora mecânica e é fascinada por relógios, especialmente em consertá-los.





Ainda há outros personagens relevantes, como outros haibanes que moram no outro lado da cidade, os quais fazem parte do passado de Reki, bem como o Comunicador, uma espécie de sábio, que serve como intermediador entre as haibanes e os togas, e é um dos personagens mais interessantes, o qual se mostra uma figura bem peculiar.

Como já havia dito, Haibanne Renmei é repleto de simbolismos, embora o autor diga que a interpretação fique a cargo de quem estiver assistindo, é possível identificar um trajeto a ser seguido, e alguns elementos auxiliam nesta tentativa, como por exemplo, os corvos, estes pássaros são elemento fundamental para compreender a situação de Rakka, pelo menos desde o prólogo é possível ver um corvo tentando ajudar ela, e depois eles se tornam figuras recorrentes no anime, os pássaros em si são muito simbólicos, os únicos que podem atravessar as muralhas. Outra coisa a se pensar são os Togas, que comandam a Haibane Renmei, ou seja, a Federação das Penas de carvão, eles são misteriosos e se sabe pouco coisa deles, não podem falar com as haibanes, o único que pode fazer isso é o comunicador, que é uma espécie de intermediário entre os Togas e os haibanes, contudo a fala é proibida, somente se comunicando pelo movimento das asas.





A execução do anime foi bem feita, embora isto não seja unânime,  o ritmo calmo, delicado e gentil foi a escolha certa para conduzir o anime, mesmo nos momentos dramáticos nada é atropelado, cada coisa possui seu momento de ocorrer, começo, meio e fim delimitados, contudo sem a resposta da maioria das perguntas claro, esta é uma característica preponderante, não raras vezes quem assiste Haibane Renmei se pega raciocinando cerca de algo que viu o de uma simbologia que captou. Como eu havia dito, os dramas pessoas de Rakka e Reki são resolvidos, de forma eficiente, uma vez que são as personagens principais, o restante das personagens do núcleo central, embora desenvolvidas de forma eficiente não demandam arcos próprios nem dramas pessoais tão desenvolvidos. E como todo mundo sabe, este tipo de anime não agrada a todos, quem procura uma resolução para tudo, e quantas menos pontas soltas tiver seria melhor, pode não gostar deste anime. Há duas situações diferentes, dois tipos de animes, primeiro, aqueles que terminam sem uma conclusão decente por culpa da execução, e outros em que esta é a proposta do anime, nesta categoria encontra-se Haibane Renmei.

Bem, tratando das demais considerações técnicas do anime, como dito a execução foi eficiente na proposta, algo paciente, que não denotasse pressa, permeado por paisagens idílicas tendo como elemento agregador o drama das personagens. Quanto ao character design, bem, eu particularmente gosto dos traços do Abe, embora não sejam reconhecidos pela sua grande variedade de detalhes, são ricos em sua simplicidade e expressividade, o que cai muito bem na proposta do anime, aliado com o background, que eu já até tinha falado sobre, abundância de paisagens verdes, elementos arquitetônicos clássicos, notadamente casas de pedra, casarões antigos, cataventos gigantes para obtenção de energia elétrica bem desgastados pela ação do tempo, bosques, florestas e ruínas.





A trilha sonora é outro destaque, composta por Kow Otani, interage de maneira harmoniosa com o anime, integralmente elabora por instrumentos clássicos, impossível deixar de perceber uma certa inclinação barroca das composições, as vezes unidas com músicas e canções tradicionais celtas ou um bocado de jazz suave. A trilha sonora de Haibane Renmei é claramente acima da média dos animes em geral, ou melhor, é bem melhor que a maioria dos animes, uma experiência sonora única, Kow Otani estava realmente inspirado desta vez, é possível apreciar bastante estas faixas sem assistir o anime, é um deleite para os ouvidos. Ocorre que dizem que Abe lhe dava muitos palpites acerca das composições, o que gerou um resultado magnifico, percebe-se que Haibane Renmei é uma obra feita com bastante dedicação por seu criador, o qual se preocupou com cada mínimo detalhe, o que, claramente, conta no resultado final.


Quanto à abertura e ao encerramento, é necessário fazer algumas considerações, a abertura "Free Bird" é algo bastante singular, também composta por Kow Otani, não possui vocal, apenas uma composição instrumental aliada com uma junção de cenas do anime em que aparecem as personagens principais fazendo o que as caracterizam e a protagonista Rakka caindo de seu sonho como um meteoro ou algo do gênero, o que é bastante simbólico, e bem, é uma abertura bastante criativas, por dispensar os vocais, e caracteriza bastante a proposta do animes, mostrando vários ângulos e paisagens, bem como a simbologia das aves.





O encerramento é bastante curioso também, se resume à Rakka girando em torno de si mesma em posição fetal embaixo d'água, o que remete a um momento de introspecção, o que juntamente com a composição melancólica se refere provavelmente ao momento que Rakka busca a si mesma no anime, o encerramento se chama Blue Flow, composto especialmente para o anime por um projeto musical da cantora Masumi Itou chamada Heart of Air, e a letra cai bem com a proposta do encerramento, pra quem não se lembra Masumi Itou fez o encerramento de Jinrui wa Suitai Shimashita, que achei até o estilo de composição similar em alguns pontos.


Enfim, eu não atribuo notas nem nada, pois acho que lendo o que eu escrevo o leitor já pode perceber se eu gostei ou não, e eu gostei de Haibane Renmei, gostei bastante, e nem preciso dizer que é mais que recomendado para quem gosta de algo do gênero, espero que tenham gostado, até mais. 





Deixei para fazer algumas considerações no final, acerca de teorias e ideias abordadas em Haibane Renemei, e já sabem, aqui vai rolar algum spoiler, então fica por conta e risco de cada um. Logo de cara é possível fazer certas comparações, é impossível não pensar que as haibanes são garotas que morreram, pelas asas e auréolas, bem como por não lembrarem de onde vieram e com o decurso do anime fica mais e mais evidente, enfim, mesmo cada um podendo interpretar como quiser, creio que seja unânime o fato que elas estejam mortas, mas restam muitas coisas inexplicadas, seria um mundo entre a terra e o céu, assim como ocorre em Angel Beats? Um lugar para quem ficou com algo mal resolvido e precisar experimentar alguma espécie de vivência antes de poder progredir na transcendência? Caso seja isso, e os outros habitantes da cidade, e ainda os togas o que seriam? Não temos estas respostas.





Também não é possível atribuir um conceito religioso fixo, não sabe que quando ocorre o dia do voo, que é quando as haibanes ficam prontas para partirem de lá, elas reencarnam ou vão para o paraíso, essa parte fica a critério de cada um. O corvo também é um elemento curioso, os corvos sempre são mal vistos pelas haibanes, como um temor deles, já que podem andar livremente para fora das muralhas, e o desconhecido é uma boa fonte de medo.



Contudo, um dos corvos é muito especial para Rakka, é sabido que é a alma, ou uma forma de representação de alguém que foi muito especial para Rakka, e no decurso da série tenta ajudá-la de diversas formas. no entanto quando ela vai em busca de respostas depois de ficar desolada com a partida de Kuu e entregue em abismos psicológicos, ela cai e se machuca em um poço profundo, e no fundo do poço havia um esqueleto de um corvo, o corvo dela. Depois quando ela é salva por um toga e começa a conversar com o comunicador fica tudo um pouco mais claro, a maneira que ela morreu pode levar a crer que se suicidou, pois é uma teoria entre os fãs que as haibanes eram suicidas, e os sonhos são a maneira que elas morreram, eu já havia cogitado isso, Rakka sonhou que estava caindo, então talvez ela pulou de algum local alto, e o corvo que no sonho a tentava puxar, era alguém que se importava com ela e tentou impedir a sua morte, e por isso ela fica muito preocupada em obter o perdão daquela pessoa que ela não sabe quem é, pois sentia que quando era viva pensava que não tinha ninguém que se importava com ela e estava só.






O Comunicador mostrou-se um personagem bastante interessante quando começo a interagir com Rakka, auxiliando ela com conselhos, quando ela mais precisava, dizendo o famoso enigma paradoxal do círculo do pecado:

"Aquele que reconhece o próprio pecado não tem pecado.

Agora lhe pergunto, você é uma pecadora?"

Com isto, após refletir bastante, Raka consegue se livrar de seu pecado, ao aceitá-lo, percebendo que a única maneira de fugir do ciclo do pecado, o que gera inúmeros sofrimentos, é aceitá-lo e superá-lo, uma vez que soube que o corvo também perdoou ela. Ai surge outra questão de extrema importância, as haibanes "presas ao pecado", que possuem manchas pretas nas asas, dependendo do nível de seu pecado, e elas não avançam para outro mundo, apenas envelhecem e morrem sozinhas na floresta, um destino cruel. Rakka, quando estava em seu abismo espiritual começou a apresentar manchas nas asas, no entanto elas sumiram após estes eventos.

Contudo, isto deu ensejo ao segundo grande drama do anime, Reki, ela nasceu com asas negras, e sempre soube do seu destino, então forçadamente tentou todos os anos em que foi uma haibane ser legal com todas e ajudá-las para ver se poderia clarear suas asas, então foi um choque quando ela revelou a Rakka que a ajudava só por interesse, e tinha inveja dela, que conseguiu se livrar do pecado. O problema de Reki, infelizmente, era que ela nunca pediu ajuda para ninguém, com medo de rejeição, para sua salvação bastava pedir ajuda, não agir sempre sozinha. Só que esta questão das haibanes leva a outra discussão, as haibanes de penas cinzas não possuem pecados? Então põe em dúvida a teoria do suicídio, também é digna de nota a menção que talvez a cidade de Glie seja em algum lugar da terra, pois foi mencionado que se visse um parente seu, você o não reconheceria e este igualmente não lhe reconheceria. Mas bem, como disse, é uma obra interpretativa, cada um é livre para para entender como bem quiser. Teria muitas coisas mais para falar, como a muralha, o pó retirado da muralha, etc, etc, mas o post que já é extenso, ficaria muito mais, então deixo com você que criem suas próprias teorias.