domingo, 30 de março de 2014

Alien Nine Emulators. Novos alienígenas, mesma bizarrice.


Na primeira postagem deste blog, eu falei sobre um mangá específico, "Alien Nine", também falei dos OVAs que foram feitos de parte deste mangá, mas voltando na primeira postagem eu prometi que escreveria algo da sequência de Alien Nine, Alien Nine Emulators, um volume único lançado quase quatro anos depois dos três volumes de Alien Nine, e bem, farei isto agora, para fechar o ciclo da bizarra saga das garotas caçadoras de aliens.




Quanto a série clássica, não entrarei em detalhes profundos, quem for ler isto daqui, dever ler Alien Nine - garotinhas e alienígenas, combinação agridoce. se quiser compreender o universo de Alien Nine de maneira mais eficiente, e também, como complemento, pode ler a postagem que fiz sobre os OVAs: Alien Nine (OVAS): hora dos parasitas cerebrais em versão animada. Hitoshi Tomizawa. O autor de Alien Nine também já deu as caras por aqui com Milk Closet: Deem boas vindas ao Milk Squad., que segue a mesma lógica de Alien Nine, crianças com poderes além do que deveriam ter, enfrentando situações bizarras, não poupando na violência física e psicológica.





Quanto ao mérito de Alien Nine Emulators, foi um mangá lançado em volume único em 15 de maio de 2003, não sendo serializado, sendo uma continuação direta de Alien Nine publicado em 1999. Neste mangá, Yuri, Kumi e Kazumi finalmente se graduam na sexta série e são obrigadas a irem estudar em outra escola, lá elas conhecem outra garota caçadora de aliens do terceiro ano, Monami Komai. Contudo, ao contrário do que prometido para as garotas, elas não ficaram livres do cargo de caçadoras de aliens, aparentemente é algo que terão que levar para o resto de suas vidas.




Inicialmente, as personalidades do trio principal se mantém as mesmas, Yuri continua não suportando aliens e sendo uma inútil que ainda fica chorando pelos cantos, contudo ela é a que possui a melhor sorte, vez que é a única verdadeiramente humana entre as três e nem ao menos realizou a união simbiótica com seu borg. Borg que para quem não lembra, são aqueles capacetes vivos que possuem uma união mutualística com o hospedeiro, fornecendo capacidades especiais em troca de alimentação, quando a união simbiótica se completa, o borg muda de forma e se torna uma espécie de peruca, a qual acompanha o hospedeiro o resto da vida, como no caso da professora Megumi, ex-instrutora do trio.




Em aspectos gerais, Emulators, assim como todo Alien Nine, além do escopo de caça aos aliens, é mais reconhecido pelas relações interpessoais, repletas de emoções a flor da pele, como noções de amizade, ciúme, desprezo, tudo regado a bastante gore. A sinopse da contracapa do mangá ilustra bem o que é Alien Nine:


Kumi, ainda se mostra protetora em relação às amigas, especialmente Yuri, mesmo agora ela não passando de um amontoado de brocas com uma cabeça humana e Kazumi, bem, Kazumi nem é ela mesma, quem a controla é um Yelow Knife, uma espécie de alien simbiótico, e ela possui uma personalidade desprendida, e fica dizendo "meow" toda hora, no entanto, consegue esconder bem suas verdadeiras intenções. Quanto aos clãs de aliens, só relembrando, no mundo de Alien Nine, que se passa levemente no futuro, quase estamos chegando lá e nada de alienígenas simbióticos, há diversos clãs simbióticos, onde os alienígenas se unem aos humanos buscando uma integração que agrade ambos, os borgs parecem os mais amistosos, contudo, há outros com intenções malignas, como os girassóis dos três primeiros volumes, ou simplesmente criaturas irracionais e violentas.




Inicialmente aparenta que Emulators seria mais do mesmo, contudo nada é o que parece, as garotas estão mais velhas, mas, são obrigadas a lidar com os aliens que aparecem na escola da mesma maneira que faziam antes só que com a companhia de uma nova companheira, e logo logo elas seriam envolvidas em eventos mais sérios. É interessante como o autor joga na cara do leitor certos questionamentos, que no primeiro momento, podem parecer superficiais diante das bizarrices apresentadas, contudo se parar para pensar pelo menos alguns instantes é possível ter uma noção mais clara do apresentado.




Alien Nine, no caso, o Emulators, assim como o original tem uma capacidade incrível em transferir ao papel as cenas mais bizarras possíveis e as situações mais grotescas, e passar a imagem de que os personagens vivem aquilo de forma normal. Tudo é muito "moe", o que contrasta fortemente com as cenas de extrema violência, e bem, eu gosto disso, é algo diferente e perturbador. A maneira de como as personagens encaram a vida é de uma suavidade contrastante com o lado grotesco. Tudo é permeado com um humor por vezes sádico em relação a condição das garotas.



É possível destacar alguns pontos bastante interessantes, bem (deste ponto pode surgir alguns spoilers leves) como, por exemplo, mais detalhes da relação entre humanos e borgs e como ocorre uma constante evolução baseada em gerações, as garotas e a professora são da nona, é a primeira geração em que o resultado da fusão possui aparência humana, as anteriores não passam de mutantes aberrantes, a questão é estas antigas gerações foram excluídas e descartadas da sociedade, criando um rancor justificável, então este é foco da primeira parte do mangá, estas criaturas que buscavam criar o borg de décima geração, que de certa forma o mangá inteiro gira em torno do famigerado e até então, inexistente, borg de décima geração.




É positivo que nesta continuação, a relação entre as garotas foi mais trabalhada do que havia sido nos volumes antigos, o que ocasionou uma das situações mais bizarra que eu poderia imaginar ver em um mangá! Kazumi, ou Yelow Knife como preferir, tinha um jeito nada ortodoxo de resolver as coisas, Yuri e Kumi estavam se distanciando uma da outra, e Kumi com ciúmes ao ver Yuri com um garoto, ficava as noites chorando no quarto, então, o que Kazumi resolver fazer? Fazer as duas se fundirem! Pronto o que resolveria o problema delas, que agora poderiam ficar juntas o resto da vida! O que é de se admitir é que Yelow Knife sabe resolver um problema metodicamente, mesmo não sendo a melhor opção, já que não é do feitio de Kumi se beneficiar dos os outros desta forma, nem Yuri, o que acabou por estragar o plano de Kazumi.(Fim dos spoilers).




Quanto aos personagens, bem, eles já foram apresentados suficientemente no Alien Nine Clássico, mas neste Emulators há acréscimos consideráveis no que diz respeito a relação entre as personagens. Até mesmo Konami, a caçadora incluída neste volume possuiu o seu valor, infelizmente não havendo muito espaço pra ela se desenvolver, mostrou-se com uma personalidade interessante e vibrante, agindo sempre na hora certa, tantos nos momentos sérios como nos cômicos. A professora Megumi protagonizou um dos momentos mais tristes do mangá juntamente com seu borg, sendo possível perceber até quanto pode chegar a relação de companheirismo entre pessoa e alien e como isto pode se tornar uma verdadeira relação de amizade.




A arte, é aquela característica de Hitoshi Tomizawa, personagens com aspecto infantil e gracioso que fogem bastante da realidade, sempre com o reconhecido contraste com cenas duras e violentas. E devo mencionar que foi gratificante também, dois capítulos especiais ao final do arco principal, uma sobre Megumi e Okada do partido alienígena, interessante abordagem de como Okada conta uma estória aparentemente fantasiosa à sua interlocutora mas que se mostra real no fim das contas. Bem e o outro especial sobre o dia a dias das garotas na época dos mangás originais, bom para relembrar o passado e bom para incluir novos elementos a fim de buscar uma melhor compreensão do trabalho de caçar alienígenas.




Como nos três volumes originais, alguns pontos me incomodaram, como a capacidade do autor em interromper abruptamente o mangá, sem um desfecho adequado, ou pelo menos como se imagina que um fim seria, você ao fim se pergunta: Acabou, já? Mas como? Os conflitos emocionais das protagonistas com certeza são um ponto forte de Alien Nine, tanto é que mesmo com o contexto alienígena é o que motiva o desenvolvimento da estória. No entanto, da mesma forma, creio que faltou uma resolução adequada do que foi apresentado, Kumi, Yuri e Kazumi possuíam uma ligação bastante forte para terminar de qualquer forma, sem os devidos esclarecimentos finais. De certa forma, pode até ser considerada ma obra coming of age, no final das contas, todas as garotas se tornam coisas diferentes do que quando começara, não digo só no sentido de terem virado aliens, mas no amadurecimento interno.




Alien Nine Emulators se mostra, no fim das contas, um competente desfecho para a saga das garotas do partido alienígena, contudo, poderia ser melhor se corrigido os defeitos apontados, não haveria uma diferença significativa caso o mangá fosse apenas um quarto volume, já que o terceiro volume da saga clássica terminou abruptamente. Fica a dica pra quem gostou de Alien Nine e quer conhecer mais sobre o universo deste mangá, ou se ficou curioso para iniciar a ler Alien Nine.




Bem, como é de praxe nas minhas postagens, farei uma indicação musical para acompanhar minha indicação, e por se tratar de algo psicodélico, nada melhor que música psicodélica! E neste contexto indico a banda alemã Tangerine Dream, formada em 1967 e expoente da cena progressiva, desfrutem, e me despeço por aqui, até mais, e não esqueça de curtir a página do Dissidência Pop no Facebook e se puder, deixar um comentário.








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